sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Implicações sobre gestão de projetos
Por Lucas Gomes Pereira

Projeto é a descrição de um empreendimento novo, inédito, que nunca foi feito antes, pelo menos não sobre algumas condições. Pode ser concebido como um plano, um esquema sujeito a basicamente três restrições: escopo, tempo e custo. Devido a essas contenções, conhecidas na literatura como tripla restrição, o gerenciamento de projetos se torna algo distinto do gerenciamento de rotina, no qual há forte controle e o fim já é esperado.
Ao longo de todo século XX pesquisadores se dedicaram a elucidar como as empresas lidavam com o seu crescimento e consequentemente necessidade de administrar os processos, as entregas, os fornecedores e um sem número de outros elementos. Durante todo aquele século, a administração criou ferramentas, métodos e formas de controle que, disponibilizadas aos profissionais, puderam levar as empresas a serem mais produtivas, desperdiçarem menos insumos e gerarem valor para seu cliente. Já no final do século, outras modalidades de gestão aparecem, dessa vez ligadas a projetos.
No final da década de 1990 e início dos anos 2000, amadurece uma nova área do conhecimento administrativo: o gerenciamento de projetos. Há, de lá para cá, um aumento no número de profissionais capacitados, bem como um aumento de publicações técnicas sobre esse tema. O que diferencia a gestão de projetos da gestão de rotinas é, como dito anteriormente, que na gestão de projetos há a presença de restrições quanto ao escopo, ao tempo e ao custo. Muitas das vezes, um projeto em questão está muito amarrado, ou seja, com grande restrição, quer seja de tempo, quer seja de custo ou quer seja que ele está relacionado não apenas a ele próprio, mas a outros projetos. Entregar ao no prazo e obedecendo a essas restrições, dá uma boa ideia sobre o sucesso de um projeto.
O sucesso de um projeto pode ser definido, assim, como a entrega respeitando a tripla restrição. Como são três os fatores que caracterizam o trabalho, pode-se citar que é maior a probabilidade de algo dar errado. De fato, conforme se constata na literatura, mais de setenta por cento dos projetos costumam burlar ao menos uma das três restrições. Isso se deve porque o ambiente no qual estes estão inseridos é muito mais propenso ao caos do que outras áreas. Além disso, conforme se constata na literatura, é possível que fatores externos ajudem a levar um projeto ao fracasso.
Pode-se citar como exemplo, o caso do Titanic. A ambição em torno de se construir um navio para fazer frente à concorrência levou à uma empáfia grande por parte dos envolvidos. Tanto foi assim, que medidas simples de segurança não foram tomadas e que acabaram matando muitas pessoas. Outro exemplo é o metrô de Salvador. Tantas foram as mudanças no escopo do projeto que foi inevitável estourar o orçamento e o prazo para entrega. Num primeiro momento, o metrô seria de superfície, não seria tal como ele é atualmente, construído sobre viadutos. Tanto é assim, que é notório que, em alguns lugares ao longo do primeiro trecho, a altura entre os pilares e o nível da avenida é tão baixo que não justiça ter ali aquela estrutura. Este fato fica ilustrado na figura abaixo:

Figura 1 Metrô de Salvador: baixa altura entre o elevado e o nível da pista
                  
Sem contar que o órgão de controle do governo (TCU) encontrou diversas irregularidades no projeto durantes os longos 13 anos em que o metrô ficou com as obras suspensas. Tais como: infiltrações, estações sem banheiro e um gasto de cimento assombroso.
Em contraposição, pode-se citar o projeto Big Dig de Boston. Esta cidade norte-americana era cortada por uma grande avenida, como o minhocão de São Paulo. Nos anos 1990, engenheiros apresentaram um projeto de túneis para desviar o tráfego para debaixo da cidade. Os desafios foram tão grandes tais como: tipo de solo, onde construir as estruturas, como instalá-las que o projeto estourou o prazo e o orçamento. Mas ele ficou pronto. E o aprendizado da sua construção gerou frutos acadêmicos.
Com base nos exemplos acima, pode-se notar que a tripla restrição oferece riscos ao projeto. Isso porque é muito fácil querer mudar sempre o escopo, tal como foi como metrô de Salvador, e o todo o resto ser impactado. Ou então não gerenciar os stakeholders afetados pelo projeto e eles invadirem o canteiro das obras, tal como os índios em Belo Monte. Uma comunicação efetiva é, assim, de fundamental importância para alinhar as diversas pessoas envolvidas. Quer sejam a equipe do projeto, o financiador, ou os stakeholders de fora do projeto. É muito importante que o gestor se antecipe e saiba lidar inclusive com crises.

Referências


Nenhum comentário:

Postar um comentário